Antigamente ser médico dependia basicamente de ser um bom investigador, um excelente examinador físico de seu paciente. Hoje os médicos são reféns de exames de laboratório, de máquinas. Eles parecem não se importar nem um pouco com isso.
Outro dia fui à uma consulta com minha mãe. Doutora sequer olhou para a paciente. Anotou suas queixas mas nem se aproximou da vítima. Se pelo menos ela fosse treinada na escola de Sherlock Holmes eu até entenderia a desnecessidade de qualquer contato físico médico-paciente. Se fosse treinada na escola chinesa, bem lhe daria algum crédito pala aparente apatia com que tratou sua paciente. Mas não era o caso. Ela atende no Posto de Saúde Pública. Não foi treinada para atender pessoas. Foi treinada para assinar requisições de exames, assinar receitas de remédios e nada mais. Nenhum esforço além desse lhe será exigido no posto em que está. Eu cá com meus botões me perguntei várias vezes se vale a pena ficar 6 anos estudando tanto, mais a residência e mais uma possível especialização para sentar-se em uma sala e acabar num papel tão humilhante. Eu não me prestaria a tanto. Tudo bem que o salário é bom para os padrões normais. Eu diria até que é cômodo. O que não é justo é a prefeitura pagar 12 mil para não um, mas vários indivíduos prestarem um serviço que até uma técnica em enfermagem ou um farmáceutico poderia prestar por bem menos.
Não estou afirmando que eles queiram ou compactuem com esse esquema, talvez apenas aceitem. Não é bom para ninguém ter que atender 200 pessoas por dia. é humanamente impossível dar atenção para todas. Atenção que me merecem e tem direito. Mas há que se dizer que muitas pessoas que buscam atendimento público poderiam e deveriam aprender a se cuidar por conta própria somente recorrendo ao auxílio médico em caso de extrema necessidade. Há também que se incentivar o volta do atendimento domiciliar, mais personalizado.
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