quinta-feira, junho 16, 2005



Nunca fui em nenhum dos encontros "Bloomsday!".
Não acredito que hajam tantos fãns de Ulisses. Devem haver muitos curiosos e
outros tantos fingidos. Aqueles que fingem terem lido Ulisses. Tolos?
O fingimento é um divertimento teatral. Quem pode se dar ao luxo de ler um livro
que não precisa ser lido. Basta fingir. Ou ler tudo que se escreveu sobre ele. Assim fazem os "críticos" que também sabem fingir e mentir sobre o que jamais leram.
A vida é curta e para emendá-la já temos o mais veloz dos recursos: a internet. Viva Mister Bloom, o fingido.

A propósito, a Editora Objetiva lançou "nova" tradução de "Ulisses" de James Joyce. A única versão para o português, era do Antônio Houaiss. Coitado de nóis. Mas não me entusiasmo muito com a versão da Profa. Bernardina da Silveira Pinheiro.

Lembro-me que quando estava na Universidade, ao fazer uma cadeira sobre Literatura Ocidental, li pela primeira vez Joyce. Foram os contos. "Os Dublinenses", mas depois me aventurei no "Retrato do Artista quando Jovem" e querendo ir mais longe me aproximei de "Ulisses". Esbarrei no lusitanismo e pomposidade do filólogo Houuais.
Fiquei tão revoltada que cheguei a pensar em fazer uma nova tradução do "Ulisses", pasmem. Quem me dera meu inglês estivesse a altura, pensei. Então fui ao "Ulisses" em inglês e logo descobri sem ninguém me contar que ele juntava palavras e formava outra. Isso era o mais díficil, o inglês em si não me pareceu díficil, talvez bastante coloquial. Então pensei em transformar meu entusismo em um "paper" ao invez de uma tradução que eu certamente não levaria a cabo.
Cheguei a fazer algumas anotações sobre a tradução de "Ulisses" para o português. Procurei professores e alguém me disse que a Profa Bernardina já estava fazendo uma nova tradução de "Ulisses", isso foi lá por 1998.

Ainda não sei se a tradução de Bernardina é moderna, se o vocabulário usado é mais familiar aos ouvidos do leitor sem ouvidos, mas desconfio que ela não conseguiu essa façanha, pois é uma senhora de quase 90 anos. Com experiência, mas talvez ainda com teias no dicionário ou sem coragem suficiente para traduzir um livro mais próximo da linguagem coloquia, sem torná-lo menor.

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